quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Vertigem

Num assombro de desespero, sustento a parede com as minhas mãos. A sustento? Ou sou eu que não quero cair no chão?! Não sei ao certo. Me sinto zonzo e desperto. É frio, mas está esquentando, o calor frio de minha palma na parede a aquece. É tanta pressão, talvez eu caia. Talvez desperte. E a mão que hora é minha e é meu sustento e hora é da parede já não parece mais tão forte. Lá vai indo a minha sorte. Chegou até mim a Morte? Pura sorte é ter a parede em mim. Não saber mais quem é tijolo ou quem é osso. Quem é firme ou carne bamba. Uma só matéria materializada, diferença de alguns compostos. Postos num lugar de temperaturas, de vibrações cruas. Hora verticalizada ou horizontalmente. Aquela mão já não é minha. Faz parte de um corpo que se entrega a quem o sustenta. E vou indo de mim. A parede vai indo de si. O mundo escorre de nós. E a verdade burra flutua e a hora finda.
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