sábado, 5 de março de 2011

PEC 300: PRA QUE AUMENTO?!

Este post é um luto. Um protesto. Um silêncio e uma indignação. Um Cálice de Chico... É uma noite de carnaval estragada por um policial.
Meus queridos, não sou repórter, por isso perdoem me se eu não contar ou explicar direito o que aconteceu ontem (04/03), sexta feira, prévia de carnaval em João Pessoa. Um abuso desnecessário e covarde do bandido mais covarde que a gente encontra por aí todos os dias, fardado, acobertado pela lei e dela "defensor".
Defensor de quem?!
...
Vamos narrar o que aconteceu:
Meu namorado e eu acompanhávamos o Bloco Cafuçu, descíamos então a rua da Areia (bem famosa, por aqui), muita gente fantasiada, com roupas descombinando, marchinhas tradicionais, algumas crianças com o seus pais. Um clima agradável e tranquilo (muito diferente da baixaria que temos em outros carnavais).
Já íamos quase no final da rua... E descendo outra rua que cruzava a rua da Areia,vinha mais um grupo de foliões. A cena que os dois grupos formava era uma das coisas mais incríveis que eu já tinha visto naquela noite! Pessoas cantando as marchas. Muuuitas pessoas, por sinal... Seria como o encontro de dois rios! Nossa, duas avalanches talvez.
Até que, continuando, seguindo destino a Pça Antenor Navarro (Centro Histórico) nos encontramos com uma viatura da polícia militar, parada no que seria um tipo de cruzamento, parecia que os dois policiais dentro do carro estavam meio sem saber que caminho tomar, porque a multidão que vinha logo após da gente era muito grande. Literalmente uma multidão! E um pouquinho atrás, passando ao lado da viatura e por nós, vinha um grupo de jovens, composto mais ou menos por dois rapazes (certeza) e três meninas. Eles riam, brincavam entre eles. Mas um deles, enquanto passava por nós disse:
-Eu olho pra ele. Por que não pode olhar? Ele é policial militar, eu também sou militar.
E riu. Seus amigos riram. E seguiram.
Em questão de segundos. Gente, segundos mesmo! A viatura militar fez uma manobra, deu a volta no carro e seguiu em direção ao grupo de jovens. Jogou o carro pra cima deles e ao perceberem o movimento do automóvel, eles se dispersaram, uns para o meio da rua e outros pra cima da calçada, encostando na parede. Rapidamente o policial que estava no volante, mais próximo de um dos rapazes, saiu da viatura e começou a soltar tapas, chutes acompanhados de: "Você ainda vai olhar pra gente?! Vai, seu porra?! Tira onda agora?!". O que estava no banco de passageiro não ficou satisfeito em só olhar a violência que o seu colega de trabalho aplicava sobre o jovem cidadão: saiu do carro e soltou uma chuva de ponta pés sobre o rapaz.
As meninas que estavam com ele começaram a gritar, a chorar, a implorar pra eles pararem. Um estabelecimento da rua da Areia fechou as portas e alguém que fechava as portas dizia: "Gente, vamos entrar. Eles [a polícia] vão limpar a rua!".
Ao ver os primeiros golpes contra o rapaz eu me afastei, comecei logo a chorar, chorar de raiva! De indignação, de não poder fazer nada para que aquilo acabasse, de não poder quebrar as mãos e os braços de quem deveria nos defender contra aquele tipo de violência que era aplicada, gratuitamente, contra a gente, contra mim, contra você, contra aquele rapaz.
PEC 300 PRA QUEM?! Pra bandido?! Pra esse tipo de policial militar??
Me envergonho disso, tenho nojo de pensar que o imposto que eu pago serve pra alimentar esse tipo de violência.
Nossa noite acabou. A noite das meninas que choravam de indignação pelo que aconteceu ao amigo delas também...
PEC 300... é piada, não é?
Depois eu fiquei pensando: e se eles tivessem colocado aquele rapaz dentro do carro? E se eles realmente resolvessem limpar a rua, como tinha dito a mulher do estabelecimento?
PEC 300...
...
Abaixo eu trago pra vocês, menos curiosos e para os curiosos também, trecho de um documento que eu achei no Google, em PDF, ao procurar por PEC 300, para entender um pouco melhor.
ps: no arquivo tem uma imagem com a frase "PEC 300: POR UMA QUESTÃO DE IGUALDADE!"
Respondeu a minha piada...


"Entenda a PEC 300
Está tramitando no Congresso Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de nº 300 que propõe equiparar os vencimentos das Policias Militares e Bombeiros Militares de todas as unidades da federação com os praticados hoje pelo Distrito Federal. Essa PEC é de autoria do Deputado Federal Arnaldo Faria de SÁ
Explicação da Ementa:
Estabelece que a remuneração dos Policiais Militares dos estados não poderá ser inferior à da Policia Militar do Distrito Federal, aplicando-se também aos integrantes do Corpo de Bombeiros Militar e inativos. Altera a Constituição Federal de 1988.
A Lei:
artigo 1º - o § 9º do artigo 144 da constituição federal passa a vigorar com a seguinte redação:
“§ 9º - a remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma do = 4º do artigo 39, sendo que a das polícias militares dos estados, não poderá ser inferior a da polícia militar do distrito federal, aplicando-se também o corpo de bombeiro militar desse distrito federal, no que couber, extensiva aos inativos.
artigo 2º - esta emenda entra em vigor cento e oitenta dias subseqüentes ao da promulgação.”
Ah! Ontem mesmo eu tinha comentado com um amigo, que mora em São Paulo e tem participado das manifestções contra o aumento das passagens do transporte público, para que tivesse cuidado com a polícia, pois ela não teria muito juízo e ele retrucou: A polícia daí é que é doida!
E hoje eu me calo: a polícia de qualquer lugar.
Vai um aviso para qualquer um que use farda, seja escolar ou militar: é uma identificação, uma representação de grupo e de coletivo. Sujar uma farda é sujar o coletivo dela inteiro. Por isso, parabéns, policiais fardados e agressores de foliões Cafuçus que desciam a rua da Areia numa noite de prévia carnavalesca em João Pessoa.
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