terça-feira, 23 de março de 2010

Há dias que ela não vem. A porta da sala não é aberta desde o dia em que por esta ela saiu. Ela voltará? Pela janela, as arvores lá fora, assanham seus cabelos em rebeldia e o caminho, por onde ela passou e que há tantos dias não é pisado, assobia de solidão. Ela voltará? Nos muitos céus estrelados de número já esquecido o silêncio eterno, tolamente, cambaleia de sono sem dormir, porque o sol, de olho grande, logo vem espiar se o espaço vazio de uma sombra, hoje será preenchido. Há dias que ela não vem. E o tormento de vozes sussurradas que o vento traz sob as frestas da casa assombram e anestesiam a saudade com a certeza de solidão. Ela não voltará. E tão logo se dá a constatação do fim; murchas e apavoradas correm as arvores atrás de outros passarinhos. Ela não voltará. E nisto, neste não, a pálpebra do sol é fechada por não ter mais razão de abrir e no sono por fim as estrelas se deleitam. Nada por mim outra vez passará ou me preencherá, porque há dias ela não vem e não voltará.
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