sábado, 18 de abril de 2009

VAGA -E- LUMES

Ah meu Deus, gostaria tanto que o meu pensamento seguisse em linha reta, pelo uma vez na vida. Meus pensamentos são vaga-lumes numa noite escura, quando penso que vi realmente alguma coisa, logo, logo aquele pensamento se perde. Muitas vezes eles piscam todos ao mesmo tempo, então eu posso ver ou pelo menos tenho a impressão de ter visto uma idéia completa, que finalmente encontrei um pensamento significativo em meio a tanta escuridão. Mas numa questão de segundos, antes mesmo de eu achar o caminho certo até eles, os vaga-lumes ou os pensamentos, eles desaparecem no ar. Chego a pensar que estou ficando louco, pois percebo que aquela idéia previamente vista, antes de tudo se apagar novamente, não passou de mera confusão mental. Que tudo que eu pensei ter enxergado, todas aquelas imagens, todas, mas todas mesmo, agora são simples lembranças sombrias dentro de minha memória.
E novamente me pego perdido nesse labirinto escuro, cheio de vaga-lumes, cheio de luzes apagadas. Luzes que não duram. Às vezes tenho impressão que penso só tenho apenas um vaga-lume para me guiar nesse breu, pois são raros os momentos que vejo mais de um acesso a vagar por aí, a fazer com que eu me perca novamente.
Não consigo mais me recordar de onde vim. Ou como vim parar aqui. Tudo parece tão turvo, tão incerto. Tudo se parece com esses vaga-lumes. Odeio eles. Odeio todos eles.
Esses pedacinhos de estrelas fizeram com que eu me perdesse. Fizeram o caminho sumir debaixo de meus pés. As cores foram embora... toda a certeza se espalhou feito poeira no asfalto. É difícil de recolher o que sobrou. Não sou tão paciente assim, não tanto quanto esses vaga-lumes irritantes que têm a audácia de ficarem mais de um minuto sem piscar.
Talvez, em algum dia que ficou para trás, eu tenha gostado dessa brincadeira de esconde-esconde de pensamento. Mas hoje, hoje, depois de nem saber quanto tempo tudo isso já durou, não consigo entender qual o sentido dessa brincadeira estúpida. Gostaria que esses bichinhos brilhassem todos ao mesmo tempo para que eu pudesse, novamente, encontrar meus pensamentos, meus caminhos, minhas certezas. Ou que pelo menos, alguns deles permanecessem tempo o suficiente acessos para que eu pudesse fazer todas essas coisas de que falei.
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